CENTENÁRIO DE UM PIONEIRO
Há cem anos atrás, em Campinas, nascia Jerônymo Geraldo de Campos Freire
Há cem anos atrás, em Campinas, nascia o oitavo filho de um casal bem constituído: Dr. Norberto de Campos Freire, médico, e Balbina, dona de casa. Colocaram-lhe o nome de Jerônymo Geraldo de Campos Freire, que mais tarde viria a se tornar um dos grandes médicos da Urologia brasileira.
Jerônymo Geraldo, aos três anos, perdeu seu pai, que faleceu em decorrência de infecção pulmonar, o que era muito comum nos médicos devotados a sua profissão.
Jerônymo Geraldo foi criado por suas irmãs e irmãos que lutaram muito para que ele terminasse o colegial no Colégio “Culto à Ciência” em Campinas.
Em 1926, apesar de todas as dificuldades, o jovem campineiro do interior, ingressou na Faculdade de Medicina da USP. Terminou seu curso médico em 1931, ajudando sua família escrevendo apostilas e com isso angariando alguns proventos. Após o término do curso, trabalhou em São Paulo até 1944, quando, após exame, foi o primeiro colocado em Concurso para chefiar o Serviço de Urologia do Hospital dos Servidores do Estado no Rio de Janeiro. No Rio trabalhou com iminentes urologistas como Alberto Gentile, fundador da primeira Revista Brasileira de Urologia. Na época, Campos Freire já produzia trabalhos respeitados pelos colegas do Rio e de São Paulo, destacando-se os de cirurgia prostática.
Em 1951 prestou concurso de Livre-Docência na Universidade de São Paulo, conquistando o título com brilhantismo, passando a exercer a urologia no Hospital das Clínicas da USP, onde continuou a desenvolver pesquisas, que, já na época, tinham repercussão internacional.
Em 1953 após disputadíssimo Concurso, competindo com quatro ilustres urologistas paulistas, conquistou o primeiro lugar, tornando-se Professor Catedrático de Urologia da USP.
Formou uma equipe brilhante e laboriosa, que admirava profundamente o Prof. Campos Freire e desenvolveu as primeiras grandes cirurgias urológicas: emprego de alças intestinais para substituir a via urinária, cirurgia das glândulas supra-renais, chegando até a realizar o primeiro auto-transplante de rim do mundo.
Trazendo para seu grupo jovens nefrologistas e após várias viagens ao exterior conseguiu realizar em 21 de janeiro de 1965, o primeiro transplante renal com doador vivo voluntário do Brasil.
Apesar de algumas tentativas mal sucedidas dessa intervenção, seu trabalho publicado em Revistas Médicas de crédito, sempre foi considerado como pioneiro no Brasil.
Seu pioneirismo foi tão marcante que, após a realização da cirurgia, apesar da repercussão favorável na mídia e nos meios científicos brasileiros, o Prof. Campos Freire chegou a ser chamado pela Diretoria Clínica do Hospital das Clínicas, onde foi severamente admoestado pela iniciativa pioneira de retirar um órgão de uma pessoa normal para doação.
Na época, bem como nos trinta anos que se sucederam jamais se contestou o mérito do Prof. Campos Freire. Dava-se início então, à era dos tranplantes de órgãos no Brasil, metodologia que hoje beneficia milhares de pacientes.
A classe médica brasileira deve ao Prof. Campos Freire o mérito de ser fundador de uma das melhores Escolas Urológicas do Brasil, cujos discípulos, até hoje, brilham no cenário nacional e internacional.
Deixou um sucessor, seu filho, o Prof. Geraldo de Campos Freire, que participou do Primeiro Transplante como instrumentador do doador, bem como de todas as reuniões preparatórias para a cirurgia. Um ano antes do primeiro Transplante fez mais de quarenta transplantes experimentais em cães para a padronização da técnica. Hoje continua fazendo transplantes renais, tendo se especializado em doenças da próstata, que é uma das grandes preocupações dos homens hoje em dia.
No dia 11 de agosto de 2010, a APM (Associação Paulista de Medicina), através de seu departamento de Urologia, presidido por seu filho Prof. Geraldo de Campos Freire, prestou magnífica e justa homenagem ao Prof. Jerônymo Geraldo de Campos Freire, reafirmando seus títulos de:
- Pioneiro dos transplantes renais no Brasil; e
- Pioneiro dos transplantes de órgãos no Brasil.
Geraldo de Campos FreireProf. Livre-Docente e Associado de Urologia da USP; Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), e Presidente do Depto. de Urologia da Associação Paulista de Medicina (APM).
6/9/2010 15:42:44
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